



O Relatório Técnico do Programa da Rede Compartilhada de Monitoramento de Qualidade da Água - Programa Água Azul, executado por equipe multidisciplinar constituída pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Educação e Cultura (FUNPEC), traz dados alarmantes sobre a balneabilidade da água das bacias hidrográficas do Rio Grande do Norte. Em grande parte dos locais pesquisados, foi detectado que a água está imprópria para o consumo humano.
O suporte técnico-científico foi feito através do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Norte (IDEMA), Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (IGARN), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRN), Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) e Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio Grande do Norte (EMPARN).
O documento constitui o primeiro Relatório Técnico neste sentido, atendendo à Resolução 357/2005 que estabelece a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como as condições e padrões de lançamento de efluentes.
No relatório, são apresentados e discutidos os resultados de coletas realizadas entre agosto e novembro de 2008, referentes ao monitoramento da qualidade das águas superficiais e subterrâneos mais relevantes para abastecimento do RN, que abrange as bacias hidrográficas.
Na bacia Piranhas-Açu, a situação é crítica. A maioria dos reservatórios do Seridó, como o Gargalheiras, Rio Seridó e Buqueirão, está imprópria para o consumo humano. No Vale do Açu a pesquisa identificou como impróprios o Mendobim, Beldrogra, Pataxós, Estuário em Macau, Pia 19 em Alto do Rodrigues e Rio dos Cavalos. Embora os dados sejam preocupantes, no contexto geral, o estudo indica que esta bacia ainda atende ao padrão em todas as estações de monitoramento.
Em entrevista recente, a doutora em ciências biológicas do IFRN, Andéia Lessa, informou que, à medida que o nível de água do Piranhas-Açu vai baixando, aumenta o nível de poluição por agrotóxico e, principalmente por esgotos residenciais. Segundo ela, a cidade de Alto do Rodrigues está entre as que mais contribuem para a poluição.
A boa notícia é que todos os açudes da bacia Apodi-Mossoró tiveram classificação de aceitável à boa. As coletas de amostras de água das bacias Piranhas-Açu e Apodi-Mossoró foram realizadas pelo IGARN e nas demais bacias pela UFRN.

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