



A presença ativa do sindicalismo e movimentos sociais na vida política brasileira já serviu de trampolim para que muitas pessoas chegassem aos mais variados cargos do legislativo e executivo do país, entre eles o próprio presidente Lula, que em outubro de 2002 foi eleito com quase 53 milhões de votos e conquistou a segunda maior votação mundial, perdendo apenas para o norte-americano Ronald Reagan, em 1984. Nos últimos 20 anos, esse setor da sociedade mostrou que tem capacidade de articulação, mesmo tendo sido um dos mais atingidos pela repressão do regime militar. A existência dessa força política efetiva e de um conjunto de reivindicações fez da prática sindical uma máquina reveladora de muitos nomes da política partidária.
Atualmente, no Rio Grande do Norte, parlamentares como os deputados Fernando Mineiro (PT) e Fátima Bezerra (PT), estadual e federal, respectivamente, além dos vereadores Sargento Regina (PDT) e George Câmara (PCdoB), ilustram esse cenário. Para Mineiro, que já está em seu segundo mandato no legislativo estadual e acumula a experiência de quatro mandatos como vereador em Natal, qualquer movimento social dá uma visão diferenciada de mundo. "O sindicato, os movimentos sociais, são espaços importantes para atuar. A gente vai ganhando experiência, um olhar coletivo. São uma verdadeira escola", disse. O deputado ainda disse que mantém uma relação próxima com os movimentos sociais e sindicais. "Acho que não atuaria dessa maneira se não tivesse passado por essas experiências. Adquiri um forte conteúdo e aprendi muito sobre cidadania. Sou muito grato por isso", declarou.
Após anos na militância, defendendo os interesses de categorias específicas, os representantes sindicais que ingressam na política partidária, muitas vezes, permanecem levantando a bandeira de alguma classe. Um desses exemplos é da vereadora Sargento Regina, que passou 17 anos na Política Militar e cinco anos de militância sindical, e continua defendendo as causas dos policiais, mesmo não integrando mais os quadros da corporação. Outro exemplo é o vereador George Câmara, diretor licenciado do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro/RN) que desenvolve ações parlamentares em defesa de tal categoria.
Duas frentes distintas de lutas
O outro lado da moeda é o desafio dos sindicatos em se absterem da prática de apologia político-partidária perante os seus representados e de qualquer conduta violadora dos direitos de sindicalização e de livre manifestação sindical. Para Eliazar Cavalcanti de Brito, que esteve à frente do Sindicato dos Auditores Fiscais do Rio Grande do Norte (Sindfern) por quatro anos, e agora tenta a candidatura a deputado estadual pelo PPS, é importante que os sindicatos sejam independentes, sob pena de perderem a legitimidade. "Acho que a atuação sindical é importante e influencia muitos que querem entrar na política. Mas o sindicato não pode ficar atrelado a essa coisa partidária, até porque compromete o compromisso com a categoria", disse.
Na opinião de Eliazar, é normal que os dirigentes sindicais tenham suas preferências político-partidárias, mas que estas não sejam impostas aos associados da entidade, sob pena de se estar desvirtuando os seus princípios.
Reportagem - Jussara Correia

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